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8 de mai. de 2014

EU NÃO SEI




Eu não sei de destino, de fado, devida,
Eu não sei de mentira, eu não sei de verdade,
Eu não sei nem de encantos de felicidade,
Eu não sei nem de amor nem de mágoa sentida!

Eu não sei de sorriso, alegria perdida,
Eu não sei de tristeza, eu não sei de saudade,
Eu não sei estar inteiro, tampouco metade,
Eu não sei de regresso, eu não sei de partida!

Eu não sei mais de claro e escuro na cidade,
Eu não sei de teus olhos, de luz prometida,
Eu não sei de desejo, nem se paixão arde!

Eu não sei da palavra que meu canto invade,
Eu não sei do silêncio, da folha caída,
Eu não sei de esperança: É cedo?...É tarde?...

Joaquim do Carmo
In Amanhecer pelo Fim da Tarde
Pag. 64.

20 de fev. de 2014

"FELIZ É O DIA'


Feliz é o dia
Que amanhece de bem com as estrelas!

Vem de braço dado com a lua,
Madrugada fora,
Dar boas vindas à estrela maior!
Traz na bagagem sonhos,
Anseios, projectos,
Quiçá vidas se gerando!

Promete sorrisos infindos
E, receando cuidados, canseiras ou dores
Avança, corajoso, o passo decidido!
Beija cada instante, apaixonado,
Da vida respirando-se, encantando-se…

Feliz é o dia
Que quase no fim, quase recomeço,
De volta ao reino dos sonhos
Cansado, anoitece mas…
… sempre amanhecendo!

Feliz é o dia, inteiro!…





Joaquim do Carmo
(a publicar)

10 de out. de 2013

''Há oásis''


nos desertos
procuram-se oásis

ficam por lá as marcas
de viajantes…
… e de camelos

há vidas desertas
pés escaldados sonhando oásis

há vidas,
oásis em alguns desertos

… há viajantes

Joaquim do Carmo
 in "Amanhecer pelo fim da tarde",
 Lua De Marfim Editora, Abril de 2013

'AMANHECE'

 

Amanhece

não tarda a noite
já crescem as sombras – é “tarde”!

(… e os dias agora passam tão depressa!)

Joaquim do Carmo
 in "Amanhecer pelo fim da tarde",
 Lua De Marfim Editora, Abril de 2013

3 de out. de 2013

''O MUNDO É BELO''


A chuva que cai
E bate, forte, na minha janela,
O vento que passa
E abana as cortinas do meu quarto,
As negras nuvens
Que escondem o azul do céu, mentem!

Querem dizer-me que é triste este mundo,
Tão triste e sombrio tornam este dia!

Querem dizer-me que é feia a paisagem,
Monótona e fria no inverno que corre!

Querem dizer-me que é má esta terra
Onde tudo morre e quase não há vida!

Mentem!
Mentem porque vem,
Já perto, a Primavera!

Mentem porque o sol
Já brilha sobre os campos!

Mentem porque as aves
Já cantam em seus ninhos!

Mentem!

Por isso, revivo, não posso ficar:
Vou cantar com as aves,
Esquecer a tristeza!
Vou viver com as flores,
Esquecer dias sós!
Vou dizer bem alto
À chuva,
Ao vento,
Às nuvens:
É belo, o mundo é belo!


Joaquim do Carmo
De: 'Amanhecer pelo Fim da Tarde'
Pag. 24,25.

1 de set. de 2013

''DIA-A-DIA''

Os dias são sempre depois dos dias
E, entre eles, as noites, os sonhos, o acordar!
E a esperança!
E o acreditar que amanhã também vai ser dia!
E a vida ...

...que não pare em qualquer beco
Sem saída!

A vida,
Os dias,
As noites,
Os sonhos ...


Joaquim do Carmo
De: 'Amanhecer pelo fim da tarde'
Pag. 29 Lua De Marfim Editora- abril- 2013 -

''ESTRELAS DE OUTONO''

Folhas secas e amarelas
A cair, leves, no chão,
Trazem segredos que o verão
Contou, de ti, às estrelas
Quando, amor, no meio delas
Brilhavas e teu clarão
Lhes dava a doce ilusão
De serem flores, das mais belas!

De teu sorriso, a alegria,
De teu olhar a esperança
Que ao peito dá confiança
E à noite a luz, que nem dia
Elas me falam; mas, fria
A aragem do vento dança
E, humedecendo a lembrança,
Lhes torna a vida sombria!

E as saudades do luar
De Agosto, nas noites claras,
Das praias que iluminaras
Com teus olhos cor de mar,
Já só lhes deixam sonhar
Que as alegrias, tão caras
E, agora, mais e mais raras,
Desse tempo hão de voltar!

Joaquim do Carmo
de 'Amanhecer pelo fim da tarde'
Pag. 80.





4 de ago. de 2013

''Retrato''


Pensamentos se cruzam:
- encontro?!

Silêncios,
ausência presente,
convergência...

um ponto
rubro,
vivo,

no peito!...

Sim!

Joaquim do Carmo, 02/08/2013 (a publicar)
© (direitos reservados)


[Tela de Mihai Olteanu]

28 de mai. de 2013

"APARIÇÃO"

 

Na penumbra
Se vivem reflexos de esperança,
na pausa da incerteza!

Entre raios estelares,
Prenúncio de alva beleza,
Gritos doridos, cânticos,
Adoração e prece!

E, de uma voz doce,
Celestial, melodiosa,
Um chamamento de amor:

“dizei a todos que venham também...”!

E vieram... com fé,
E voltaram... em paz,
Procurando tal amor!

Joaquim do Carmo
em ‘Amanhecer Pelo Fim da Tarde”

25 de abr. de 2013

''Presente''




eu luto
dia a dia
entre primaveras
por manter a jovialidade

que permite
renascer
a cada dia
como se fosse o primeiro
como se fora o último
…sendo único!

Joaquim do Carmo (a publicar)
© (direitos reservados)

''Ai, flores...''




De seda vestidas,
Suaves encantos,
De amantes,
Feiticeiras!

Ai, pétalas…

As cores
Os cheiros
O toque…

Ai, beleza! Ai, vida!

Inebriantes,
Terna melodia
De amor, doce paixão…

Ai, flores, voltem... ao poema!

Joaquim do Carmo (a publicar)
© (direitos reservados)

''CANTO PRIMAVERIL''



Sobre o azul do céu,
Ainda vacilante
Nasce o sol, desperto,
Em seu trono brilhante.

No verde escondido
Pintalga de estrelas,
Pontos fluorescentes,
A minha janela.

Bem seguro ao bico
De andorinha amiga,
Alegre e saltitante,
P’los ramos das árvores
Canta-me ao ouvido,
Como se em segredo,
Em versos de luz:
Vem, é Primavera!

Joaquim do Carmo
in "Amanhecer pelo fim da tarde", 

Lua De Marfim Editora, Abril de 2013