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12 de mar. de 2010

Tantas Flores


Tantas flores quietas
suspensas desde o tempo ido...!


Aguardam o indefinido,
através horas inquietas,
através horas sem sentido...


E sofrem de agudas setas...


O vago ramo prometido!



Saúl Dias
In: Obra Poética
Sangue (1952)

16 de dez. de 2009

Nunca mais



Passa um dia,
e outro a correr atrás dele
e outro e outro...
O tempo a todos impele,
tal o vento
levando, em doida correria,
revoadas de folhas outonais,
folhas de calendários sempre iguais,
uma a uma arrancadas,
perdidas nas estradas...

Nunca mais... Nunca mais...

Saúl Dias,
in: Essência
(Portugal 1902-1983)

9 de dez. de 2009



«Eras uma flor inventada
com milhões de sóis em cada pétala.»


Havia
na minha rua
uma árvore triste.

Quebrou-a o vento.

Ficou tombada,
dias e dias,
sem um lamento.

(Assim fiquei quando partiste...)


Saul Dias
(Júlio Maria dos Reis Pereira)
(1902-1983)