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29 de jul. de 2013

''Vieste Tarde''



Vieste tarde, meu amor! Começa
Em mim caindo a neve devagar,
Morre o sol, o Outono cai depressa,
E o Inverno, finalmente, há-de chegar.

E se hoje andamos juntos, na promessa
De caminharmos toda a vida a par,
Daqui a pouco o teu amor tem pressa
E o meu, daqui a pouco, há-de cansar.

Dentro em breve, por trás das velhas portas,
Dando um ao outro só palavras mortas,
Que rolam mudas pelas nossas vidas,

Ouviremos, nas noites desoladas,
- Tu a canção das vozes desejadas,
Eu, o chorar das vozes esquecidas!

Joaquim Nunes Claro

de 'Cinza das horas"
(Lisboa, 20 de Abril de 1878 — Sintra, 4 de Maio de 1949, médico e escritor português)

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