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9 de mai de 2010

VIII


Ontem, sentado num penhasco, e perto
Dos águas, então quedas, do oceano,
Eu também o louvei sem ser um justo:
E meditei, e a mente extasiada
Deixei correr pela amplidão das ondas.

Como abraço materno era suave
A aragem fresca do cair das trevas.
Enquanto, envolta em glória, a clara Lua
Sumia em seu fulgor milhões d'estrelas.

Tudo calado estava: o mar somente
As harmonias da criação soltava,
Em seu rugido; e o ulmeiro do deserto
Se agitava, gemendo e murmurando.
Ante o sopro de oeste: ali dos olhos
O pranto me correu, sem que o sentisse.
E aos pés de Deus se derramou minha alma.


Alexandre Herculano,
em A Harpa do Crente

2 comentários:

  1. Quanta coisa linda neste blog parabens.
    É um encanto aos olhos, e uma satisfação ao coração..tenha uma ótima semana
    GUI.

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  2. Parabéns pela selecção dos poemas apresentados.
    Helena Figueiredo

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