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4 de abr de 2009

Mia Couto


António Emílio Leite Couto é o nome completo de Mia Couto, filho de Maria de Jesus e Fernando Couto. Nasceu na cidade da Beira, Moçambique, a cinco de Julho de 1955. É considerado um dos nomes mais importantes da nova geração de escritores africanos que escrevem em português. Isso deve-se não só á forma como descreve e trata os problemas e a vida quotidiana do Moçambique contemporâneo, mas principalmente á inventiva poética da sua escrita, numa permanente descoberta de novas palavras através de um processo de mestiçagem entre o português "culto" e as várias formas de dialetos introduzidas pelas populações moçambicanas. Mia é assim uma espécie de mágico da língua, criando, apropriando, recriando, renovando a língua portuguesa em novas e inesperadas direcções. Tem, devido a essa autêntica revolução de inventiva linguística, sido muito apropriadamente comparado a um outro grande mágico da Língua Portuguesa do século XX, o escritor brasileiro João Guimarães Rosa.

Mia Couto foi desde 1974 e durante vários anos, diretor da Agência de Informação de Moçambique, seguidamente dirigiu o jornal Noticias de Maputo e a revista Tempo. Posteriormente, estudou medicina e biologia e é atualmente biólogo na reserva natural da Ilha da Inhaca, em Moçambique.
Vencedor de vários prêmios, Mia Couto tem a sua obra traduzida em muitos países, entre eles Alemanha, Bélgica, Brasil, Bulgária, Chile, Croácia, Dinamarca, Eslovênia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Israel, Itália, HolandaPolônia, Noruega, Reino Unido, República Checa e Suécia.

A escrita tem sido uma paixão constante, desde a poesia, com que estreou em 1983. A questão do gênero literário não é, de resto, a mais importante para um autor cuja escrita prosa e poesia se contaminam e que escreve "pelo prazer de desarrumar a língua".
Questões mais importantes relacionadas com sua obra são as relacionadas com a vida do povo moçambicano, um dos mais pobres e martirizados do mundo, recém saido de 30 anos de guerra civil e onde persiste uma forte tradição de transmissão da literatura e dos saberes essencialmente por via oral. Numa cultura onde se diz que "cada velho que morre é uma biblioteca que arde", Mia empreende uma escrita que liga a tradição oral africana á tradição literária ocidental, tal como no seu trabalho de biólogo liga, no estudo da floresta, o saber ancestral dos anciãos sobre o espírito das árvores e das plantas á moderna ciência da Ecologia. Essencial, num caso como noutro, é sempre a relação mais profunda entre o humano e a terra, entre um humano e outro humano, por vezes nas suas condições mais extremas.

OBRA

• Raiz de Orvalho (poesia, 1983)
• Vozes Anoitecidas (relatos, 1986)
• Cada Homem é uma Raça (relatos, 1990)
• Cronicando (crônicas, 1991)
• Terra Sonâmbula (novela, 1992)
• Estórias Abensonhadas (relatos, 1994)
• A Varanda do Frangipani (novela, 1996)
• Contos do nascer da terra (relatos, 1997)
• Mar me quer (novela, 1998)
• Vinte e Zinco (novela, 1999)
• O Último Vôo do Flamingo (novela, 2000)
• O Gato e o Escuro (livro infantil, 2001)
• Na Berma de Nenhuma Estrada e Outros Contos (relatos, 2001)
• Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra (novela, 2002)
• Contos do Nascer da Terra (relatos, 2002)
• O país do queixa andar (crônicas, 2003)
• O fio das missangas (relatos, 2003)
• A Chuva Pasmada (novela, 2004)
• O Outro Pé da Sereia (novela, 2006)

Prêmios

- Em 1999, Mia Couto recebeu o Prémio Vergílio Ferreira, pelo conjunto da sua obra.
- Em 2007 recebeu o Prémio União Latina de Literaturas Românicas.
- Em 2007 foi o vencedor do Prêmio Passo Fundo Zaffari e Bourbon de Literatura, na Jornada Nacional de Literatura.

Fonte: Comunidade Biografia e Poesia Portuguesa - ORKUT

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