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29 de jul de 2013

"Quem que seja tu"


Quem quer que sejas tu, que neste abrigo
Vieste em hora mansa hoje parar.
Feliz! Vens encontrar aqui contigo
Os tesouros que andaste a procurar.

Vens encontrar, sob o silêncio amigo,
A paz do ouvido, e a glória do olhar.
E até, quem sabe? Aquele beijo antigo
que há muito tempo não sabias dar.

Vens encontrar, ( é tarde? Não importa),
Um bem que passou à tua porta.
Um grande amor, nem tu soubeste a quem.

E vens, ( tanta riqueza em toda a parte),
Vens a ti mesmo, atónito, encontrar-te.
Ès um poeta, e nunca o viste bem.

Joaquim Nunes Claro
de 'Cinza das Horas'

[Tela do pintor brasileiro Washington Maguetas]

Um comentário:

  1. Adorei este poema tão cheio de música que me fez sorrir os olhos!

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