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6 de mai. de 2011

VENTO NO ROSTO


À hora em que as tardes descem,
noite aspergindo nos ares,
as coisas familiares
noutras formas acontecem.

As arestas emudecem.
Abrem-se flores nos olhares.
Em perspectivas lunares
lixo e pedras resplandecem.

Silêncios, perfis de lagos,
escorrem cortinas de afagos,
malhas tecidas de engodos.

Apetece acreditar,
ter esperanças, confiar,
amar a tudo e a todos.


António Gedeão
Movimento Perpétuo
“in” Poesias Completas

Um comentário:

  1. Magnífico poema, Antonio Gedeão!

    Quando descem as tardes poucos percebem com o olhar poético. Elas descem todos dias indiferentes a nós, e a cada dia um novo "descer de tarde".

    Sublime!

    Beijos

    Mirze

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