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22 de ago de 2009

RECOMEÇO



Avançam devagar pelo mundo
de olhos fixos no outro lado das coisas
onde o sol nunca se põe
- uma luz que pode ser pálida
como o rosto envolto na antiga mortalha.

Ao fundo, o molhe recebe a névoa
e as gaivotas que não sabem onde
se refugiar nem como fugir
- quando, ao olhar para cima,
o alto e o baixo se confundem em nada.

Assim, nada se distigue, de facto,
do que é obscuro neste mundo;
e a própria noite habita este dia
- no qual não vejo nem o sol, nem o mar
nem o teu olhar sob uma erosão de pálpebras.


Nuno Júdice -
in: Por Dentro do Fruto a Chuva - Antologia Poética

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